Mostrar mensagens com a etiqueta tempo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta tempo. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Circular(es) 1

Ana, deitou-se na cama, mais de sete horas depois, e retirou da mala o que lá colocara, para outra noite em cama alheia: toalhetes desmaquilhantes, escova de dentes, creme de rosto e um corta-unhas para garras alheias. Unhas que a tinham ferido por dentro, garras que lhe fizeram esquecer os pés alheios. Pés que nunca conhecera, por não os conseguir tocar, beijar, incorporar. "Estranho dormir com um homem sem pés", pensou. 
A lua ia cheia de sangue e a caminho de ser escondida, mas atrás da neblina, a luz reflectida iluminava-lhe a grande vidraça do quarto, da cama e da vida. Recebeu a claridade e a força que procurava. Sentiu a sintonia com o Universo e agradeceu.
Ana, tinha recebido, nas últimas horas, tudo o que precisara para não cair, para amar e ser amada, para não ficar só e desamparada. Não há amparo mais leal e seguro do que a amizade. Recordou as conversas com José, Alice, Júlia e Mariana.
Conversas pedidas, que a noite lhe dera sem as esperar. Palavras que foram caminhos para adormecer serena.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

O termóstato do Amor

Encontrámos um termóstato do Amor
Algures numa banca de antiguidades
Ou na água revolta do mar
Que visitamos tantas vezes.
Deu à nossa costa
Foi colocado nos nossos bolsos
Ou entrou, sem molestar, nos nossos sapatos.
Velho ou molhado, objecto desconhecido
Em funcionamento perfeito.

Há um grau abaixo do qual o Amor congela e o frio o queima.
Acima de outro grau, o fogo enfulija todas as cartas de Amor.
O termóstato do Amor actua mal se atinge o limite mínimo
E encontra beijos, palavras, olhares, que antes da consciência,
Nos mostram como o caminho é mais cheio juntos.
E ao chegar ao ponto máximo corta o circuito periclitante
E encontra doçura, humor, perdão, onde, na companhia
Da inconsciência temperamental, os julgávamos impossíveis.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Aforismo

O presente é onde tenho um pé desejoso de seguir o que já se adiantou e ainda no ar caminha para o futuro.