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quarta-feira, 1 de março de 2017

Da moral e das boas maneiras

É recorrente dar por mim a repensar neste assunto.

Ou porque a vida me coloca em situações novas com pessoas novas que me levam a pensar novamente na relação entre a moral e boas maneiras.

Ou porque fico perante situações novas com pessoas antigas e esta questão se reergue dentro de mim.

Ou porque em conversas com os meus três filhos, todos adolescentes, o tema surge com a naturalidade que se impõe neste período das suas vidas em que eles batalham pela construção e demonstração da sua individualidade, ganham um certo distanciamento da família e lutam pelo seu lugar na sociedade questionando (e tentando recusar) as regras por ela impostas.

Para mim as boas maneiras não se fundam na moral, mas na gentileza da alma.

As boas maneiras estão muito para além do certo e do errado, nem são uma imposição sem sentido ou de mera origem e evolução histórico-geográficas.

Ser gentil é ser amável. Ser amável é ser digno de ser amado. Sentir-se digno de ser amado pode não ser fácil para muitos e para os que se sentem - consciente ou inconscientemente - indignos de serem amados é seguramente causa de dor no próprio e nos outros.

Não há amor nem respeito pelo outro (dado ou recebido) sem empatia. E se esta forma de identificação de um sujeito por uma pessoa - ideia ou coisa - quando é intelectual dá frutos mais rápida e evidentemente, quando é afectiva - ainda que seja árdua de semear e de colher - os seus frutos são mais nutritivos, saborosos e de combustão lenta.

Ser gentil é também ser delicado, elegante, agradável, aprazível. As boas maneiras são por isso uma expressão estética de harmonia.

Ser gentil é ser nobre no trato para com os outros que vimos e sentimos como iguais e no lugar dos quais nos colocamos pois eles são dignos do mesmo que nós.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Manifesto do amor de um idealista

Que a ternura floresça
Que o mundo olhe para nós
E veja este imenso Amor. 
Unidos os dois, sem muros, nem defesas
Confiantes um no outro.

Que vivamos do e para o nosso Amor 
Que seja ele a nossa primeira prioridade
Um exemplo para os nossos filhos
De coragem, de entrega, de enorme possibilidade
Um exemplo de bondade total entre duas pessoas 
Sem medo de perder, enganar, magoar
Sem medo do fim.

Um Amor bonito, sincero, honesto 
Um Amor que sabe perdoar
Um Amor que começa cada dia para ser melhor 
Um Amor que acaba cada dia melhor.

O Nosso Amor Indestrutível.
Somos o porto de abrigo
E a aventura mais entusiasmante
De cada um de nós.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Máquina do amor

Há coisas mágicas,
que fluem com facilidade
Fronteiras que não são limites
Restrições que não angustiam
Uma máquina de amor perfeita.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Equal


Why are you not behind the door
Thirsty for you
So as to drink in me
What I save just for us?

We are
What no one else
Can feel.
A violet light
That I envelope you in.
A white light
That I support myself in.

I am much more than a body.
It is not me you touch
When you lift me uncovered.
You offer me to the heavens
A piece of light
Naught without you.

Let us run through the warm winds
Naked.
Just us.
Without beds, without doors.

I don't think of you
You whom I have.
It is those who escape me
The unknown
Who sweeten my torment.

I adore you
Free woman.
You receive
One who venerates you as
An equal.

I am not in the measured days
In the full hours
I am not in the midst of people
Nor within clothing
I am where I do not see myself
Within you.

Seated before you
I adore you.
And since I venerate you
You lift me up with you.

Goa, November 2004

sábado, 13 de fevereiro de 2016

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Tiraste-me o chão e deram-me o mar

Não vais vir nunca mais
O tempo não vai lá estar
E eu estarei num sonho
que nunca foi o teu.
Tiraste-me o chão
E o mar entrou de supetão
Por entre palavras escritas
Durante o tempo improvável
Traçou uma viagem.

O sonho voltou inteiro
E o monstro voltou com ele.
Empurra-me o diafragma
Aperta-me o estômago.
Atira-me ao chão.

Ao sonho me atiro
E o monstro renasce.
Na proa do barco
Há um marinheiro a chamar.
O sentido chama-se viagem
E viagem implica partir.
Partir implica deixar.

Volta o medo
Quando me dão o mar.
À popa há um coro negro
De velhos e mães.
"Não vás!"
Atiro-me ao sonho
E o sonho sussurra.
Na proa o marinheiro chama
Eu espero entre o passado e o futuro.
Repito ou ouso?

Salto para o mar.
Não há balsa, nem bóia
Nem pai, nem mãe,  nem pesadelo.

Volta o sonho de mar
Volta o sonho de voar.
"Que fazes aí? Volta!"

Devolvo-te o chão
A cama velha
As velas na mesa
Os olhos do marinheiro arpoam os meus.

E vou! Para viver pela primeira vez.
Vence o mar, a viagem e o sonho de mim.


segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Circular(es) 1

Ana, deitou-se na cama, mais de sete horas depois, e retirou da mala o que lá colocara, para outra noite em cama alheia: toalhetes desmaquilhantes, escova de dentes, creme de rosto e um corta-unhas para garras alheias. Unhas que a tinham ferido por dentro, garras que lhe fizeram esquecer os pés alheios. Pés que nunca conhecera, por não os conseguir tocar, beijar, incorporar. "Estranho dormir com um homem sem pés", pensou. 
A lua ia cheia de sangue e a caminho de ser escondida, mas atrás da neblina, a luz reflectida iluminava-lhe a grande vidraça do quarto, da cama e da vida. Recebeu a claridade e a força que procurava. Sentiu a sintonia com o Universo e agradeceu.
Ana, tinha recebido, nas últimas horas, tudo o que precisara para não cair, para amar e ser amada, para não ficar só e desamparada. Não há amparo mais leal e seguro do que a amizade. Recordou as conversas com José, Alice, Júlia e Mariana.
Conversas pedidas, que a noite lhe dera sem as esperar. Palavras que foram caminhos para adormecer serena.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Inesperado

Que bom um beijo inesperado de amor
Enquanto dormente nem oiço os teus avisos.
Um beijo quente e cristalino
Só para olhares
O meu rosto
O meu corpo
Dentro dos meus olhos.
Um beijo que me serena e aquece
Um beijo mais longo que o seu tempo
No lugar mais escondido em mim.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

O termóstato do Amor

Encontrámos um termóstato do Amor
Algures numa banca de antiguidades
Ou na água revolta do mar
Que visitamos tantas vezes.
Deu à nossa costa
Foi colocado nos nossos bolsos
Ou entrou, sem molestar, nos nossos sapatos.
Velho ou molhado, objecto desconhecido
Em funcionamento perfeito.

Há um grau abaixo do qual o Amor congela e o frio o queima.
Acima de outro grau, o fogo enfulija todas as cartas de Amor.
O termóstato do Amor actua mal se atinge o limite mínimo
E encontra beijos, palavras, olhares, que antes da consciência,
Nos mostram como o caminho é mais cheio juntos.
E ao chegar ao ponto máximo corta o circuito periclitante
E encontra doçura, humor, perdão, onde, na companhia
Da inconsciência temperamental, os julgávamos impossíveis.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Há muitos anos que não chorava

Há muitos anos que não chorava
Por me faltar o amor dos que mais amei.

Choro de tristeza por ser quem sou
E sabendo-me me esperarem farpas
Qual boneco de vodu.

Choro porque me dão o amor primordial
Que sempre me faltou.

Noite entre o inferno e o céu
Noite branca que limpou o sangue.
Manhã de azul.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Dos filhos grandes me pediram

Dos filhos grandes me pediram
Que em palavras aqui arrumadas
Prendesse neste dia o Amor dos três.

Mãe temerária e protectora
Mãe antes de tudo e de todos
Mãe fundação e pilar.

Mãe ninho de pássaros precoces
Mãe de ninho enorme
Mãe onde se aninham quentes e seguros.

Filhos que dela espalham no Mundo
O mesmo Amor que beberam
A mesma Garra infindável
A mesma Aventura de viver.

(Para Teresa Seixas Moura-George)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Disseste-me amo-te, como nunca ouvi

Disseste-me amo-te, como nunca ouvi
Um amo-te antigo cheio de eternidade
Um amo-te para além de nós.

És feito de esperança no Amor
Não no amor mitigado, fantasioso, angustiado
Não no amor maltratado pelo quotidiano e pelo resto.

Somos o Amor real
fora do tempo e do espaço
antes do tempo e no espaço ocupado.

Somos clandestinos do Amor
Somos marginais da Esperança
Não para nós, mas para cada um.

Amo-te como me disseste que me amavas
E fiquei prostrada perante esse Amor
Que julgava só possível em mim.

Perdi as palavras e as forças
Caí na cama, não para morrer de amor
Mas para aprender a viver com o teu.

Sabia que vias em mim a menina feliz
Amada
Sabia que me fazias feliz
Amando-me.

Não imaginava quanto o teu Amor
É profundo e infinito.



terça-feira, 31 de julho de 2012

A clarabóia e o jardineiro

Estou cheia de coisas boas. Coisas que não se trocam por pedras ou metais preciosos. Coisas a que a moeda não chega nunca. Tenho a minha luz acesa. Uma brasa vermelha, estelar, aquece-me.  Não tenho frio e no meu coração habitam tantos seres de Amor. No seu topo, bem no alto, há uma clarabóia que distribui luz por todos os aposentos e sob ela está um quarto vazio há tempo demais. Visito-o todos os dias, deito-me na cama olhando o céu, sento-me à janela olhando o mar e espero pelo dia em que feliz possa cheirar o teu sorriso.
Afastei o desânimo e olho as laranjas sãs que a árvore me oferece. O pomar cresceu este ano selvagem. Sem jardineiro nas nuvens e sem jardineiro na terra.

Lisboa, Dezembro de 2011

                                                   Mafalda Mimoso 2012

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Estrela da Tarde - Ary dos Santos

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!
Ary dos Santos 
 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

"Um Amor Feliz" - Exposição de Fotografia na Galeria Maria Lucília Cruz, em Lisboa

De 10 de Fevereiro a 4 de Março de 2011
Galeria Maria Lucília Cruz
Rua das Salgadeiras nº 22, Bairro Alto, Lisboa

Inauguração dia 10 às 18h30.

Um Amor Feliz mostra mais um trabalho fotográfico de Mafalda Mimoso onde a Natureza assume novamente um papel relevante. Desta feita o amor pela natureza, faz com que esta se torne o local de encontro de outros Amantes que também são seus. Entre a terra e a água, na palha ou na outra margem do rio, longe ou perto, há entre todos - Homem e Natureza - uma ligação determinante. É nesse amor entre todos, ou na luta por esse amor, que todos desenham o seu frágil destino.

"Por ser o amor em si mesmo um absoluto (ou tender para ele) e por em si mesmo constituir uma liberdade (ou a ela aspirar), nada de mais nocivo nem até de mais oposto à sua essência, à sua existência, à sua vivência que a ilusão de uma liberdade absoluta. [...] Segundo efectivamente me parece, no relativo da liberdade que usufrui e no contingente do absoluto que se lhe permite é que justamente o amor se constrói (ou tenta construir-se) quer como absoluto quer como liberdade: esta é a grandeza do seu designío, esta é a precaridade do seu destino.[...]" David Mourão Ferreira, Terraço Aberto, Ed. Círculo de Leitores, 1992.

"O que há de oposto à liberdade é o cliché" George Steiner, Night Words, 1965.

"Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?"
Carlos Drummond de Andrade
 

Mafalda Mimoso continua a mostrar-nos que tanto a natureza selvagem como a humana assumem-se como uma forte temática no seu trabalho, e que se mantém confiante no Amor do Homem pela Natureza e pelos seus semelhantes.

Horário:
Quarta a Sexta – 17h30-19h30
Sábado: 15h-19h30

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Mãos

As mãos são muito bonitas.
Conheço umas assim, espero por elas.
Renascerão... como tudo em mim.

A propósito do seguinte post no Facebook e respectiva foto ilustrativa do mesmo:
 
"(...) nunca devemos amar em silêncio, nada é mais perigoso do que dividir com outrém os pensamentos vi...vidos em silêncio. Um amor feliz precisa de turbilhão das palavras, das frases aparentemente inúteis e sem sentido, precisa de adjectivos, de elogios, do ruído das banalidades. Não há felicidade que seja tantas vezes fútil,tantas vezes inútil."
Miguel Sousa Tavares, in "Não te deixarei morrer, David Crockett"

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Amor felino

Quem aprendeu a amar com os gatos gosta do ronronar quente no colo e sente falta do nariz frio. Quem aprendeu a amar com as pessoas gosta da palavra funda e tem saudades dos beijos múltiplos.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Elevados

Para quando, meu amor
Longa e eternamente
Sôfregos nos corpos
Ávidos de palavras
Elevados pelas almas?

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Um igual / An Equal

Porque não estás atrás da porta
Sedento de ti
Para em mim beberes
O que guardo só para nós.

Somos
O que mais ninguém
Pode sentir
Luz violeta
Em que te envolvo
Luz branca
Em que me sustento.

Sou muito mais do que um corpo
Não é em mim que tocas
Quando me levantas descoberta
Ofereces-me aos céus
Pedaço de luz
Nada sem ti.

Vamos correr por entre o vento quente
Nus
Apenas nós
Sem camas, nem portas.

Não penso em ti
Que te tenho.
São os que me escapam
Os desconhecidos
Que adoçam os meus tormentos.

Adoro-te
Mulher livre.
Recebes
Quem te venera
Um igual.

Não sou nos dias contados
nas horas cheias.
Não sou por entre as pessoas
nem dentro das roupas.
Sou onde não me vejo
Dentro de ti.

____________________

Why are you not behind the door
Thirsty for you
So as to drink in me
What I save just for us?

We are
What no one else
Can feel.
A violet light
That I envelope you in.
A white light
That I support myself in.

I am much more than a body.
It is not me you touch
When you lift me uncovered.
You offer me to the heavens
A piece of light
Naught without you.

Let us run thorough the warm winds
Naked.
Just us.
Without beds, without doors.

I don’t think of you
You whom I have.
It is those who escape me
The unknown
Who sweeten my torment.

I adore you
Free woman.
You receive
One who venerates you as
An equal.

I am not in the measured days
In the full hours
I am not in the midst of people
Nor within clothing
I am where I do not see myself
Within you.

Seated before you
I adore you.
And since I venerate you
You lift me up with you.

(Tradução Isabel Santa Rita Vaz)

sábado, 1 de agosto de 2009

I love you. My children.

The heart grows,
Pushes against the lungs,
Knocks against the bones,
Ruptures the skin.

How I wish you would feel my Love
In my embrace.
Huge
Transcending us.

I plunge into your eyes
So that you may sense me
Whole within you.
For ever
In an eternal leap.

I do not wish to dish out food on to your plates
I do not wish to teach you to read and count.
I wish to kiss you
To cling to you
Invisible
Priestly
In the same geminal love.

Goa, India, 2004