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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Equal


Why are you not behind the door
Thirsty for you
So as to drink in me
What I save just for us?

We are
What no one else
Can feel.
A violet light
That I envelope you in.
A white light
That I support myself in.

I am much more than a body.
It is not me you touch
When you lift me uncovered.
You offer me to the heavens
A piece of light
Naught without you.

Let us run through the warm winds
Naked.
Just us.
Without beds, without doors.

I don't think of you
You whom I have.
It is those who escape me
The unknown
Who sweeten my torment.

I adore you
Free woman.
You receive
One who venerates you as
An equal.

I am not in the measured days
In the full hours
I am not in the midst of people
Nor within clothing
I am where I do not see myself
Within you.

Seated before you
I adore you.
And since I venerate you
You lift me up with you.

Goa, November 2004

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Nos degraus da carne pura

Parou-a no meio das palavras:
Tinha de falar ali, em sons e sem olhos
Do que a move e eleva.
Não falou. Incapaz.
Não foi vergonha moral
Foi medo do desperdício.
Não foi insegurança de si
Foi o desmoronamento eminente.

Terreno e carnal
Ele fala, ela faz.
Elevado e fundo
Dele não se conhece
Ela assim o pensa e sente.

Da pele e dos gemidos
Das palavras imperativas
E dos dedos enterrados
Abre as pernas para sair de si.
O passo é incomensurável
Sempre além
Empurrando os limites.

Beijou-a beijos diversos.
Beijos que guardou em caixinhas
Beijos que sabe não conter.
Sentiu os seios cheios e tensos
Recordou domínios
De pedaços de si.

Entrou nele
Cheia de prazer
Agarrou-o por dentro
No domínio presente.
Controlando aqui
Gozando sempre
Ainda que nas suas mãos.

Ele brinca com ela
Directo e mordaz.
Ela escorrega nas curvas
Dos cérebros, despreocupada
Solta, feliz.

É no corpo
Veículo de outros deuses
Passagem estreita
Ritual sinalagmático
Que tudo pára

Antes

De nos olhos
Se elevarem
Trepando nos degraus
Da carne pura.