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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Manifesto do amor de um idealista

Que a ternura floresça
Que o mundo olhe para nós
E veja este imenso Amor. 
Unidos os dois, sem muros, nem defesas
Confiantes um no outro.

Que vivamos do e para o nosso Amor 
Que seja ele a nossa primeira prioridade
Um exemplo para os nossos filhos
De coragem, de entrega, de enorme possibilidade
Um exemplo de bondade total entre duas pessoas 
Sem medo de perder, enganar, magoar
Sem medo do fim.

Um Amor bonito, sincero, honesto 
Um Amor que sabe perdoar
Um Amor que começa cada dia para ser melhor 
Um Amor que acaba cada dia melhor.

O Nosso Amor Indestrutível.
Somos o porto de abrigo
E a aventura mais entusiasmante
De cada um de nós.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Espero por ti numa madrugada

Encontrei-o na terra de ninguém
Num lugar de passagem
Falando uma língua franca.

Palavras e gestos
Vozes e corpos
Rodeados de fantasmas e medos
Desossaram o cadáver da luxúria.

Ficámos com os ossos
Que deitámos num caldeirão alquímico.

É um estrangeiro que agora partilha
O berço e a esperança da Democracia
E viaja entre a mitologia e os novos homens.

Sou uma apátrida por nascer
Uma mulher sem tribo
Em busca do útero perdido.

Sabemos do que somos capazes

Subir aos cumes mais altos
Descer onde a água é negra

Unir os corpos sem convidar Platão nem Afrodite
Esquecendo Ares e Adónis

Coser os lábios sem teias
Separados por um fio de seda
Doce como algodão de feira
Macio como polpa de fruto maduro.

Coloquei o seu olhar
no mais delicado guarda-jóias.

Penduro-o ao peito
Quando o meu coração
Chora de saudades.
Enfio-o no dedo
Quando quero
Que me abrace.

Pusemos as nossas ossadas na pira
para nos misturarmos no vento
E com o ar quente subirmos alto
E nos juntarmos ao invisível
Esse traço redondo e entrelaçado.

Mas sabemos-nos um quase sem remorso
Um quase que nos dá chão.

Não temos o mapa do além
E no que carregamos às costas
Não encontramos oxigénio.

Somos ossos que de carne só têm o cheiro.

Ansiamos a primordial cúpula celeste
O adágio de um orgasmo intersectado
O ar fresco e rarefeito
O sal das águas profundas
O fim das nossas guerras.

Sonhamos com uma armada indestructível
que sobre o mar voe
e nos salpique as entranhas
renascendo-nos.

Somos liberdade.

Sobre as paredes está o mar
Onde touros não colhem
E pássaros não chegam ao sol.

Ofereço-lhe a minha armadura
Para que a derreta
E dela nasçam puros castiçais.

Arderão luz e perfumes inebriantes
No veículo que escolhemos.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Nos degraus da carne pura

Parou-a no meio das palavras:
Tinha de falar ali, em sons e sem olhos
Do que a move e eleva.
Não falou. Incapaz.
Não foi vergonha moral
Foi medo do desperdício.
Não foi insegurança de si
Foi o desmoronamento eminente.

Terreno e carnal
Ele fala, ela faz.
Elevado e fundo
Dele não se conhece
Ela assim o pensa e sente.

Da pele e dos gemidos
Das palavras imperativas
E dos dedos enterrados
Abre as pernas para sair de si.
O passo é incomensurável
Sempre além
Empurrando os limites.

Beijou-a beijos diversos.
Beijos que guardou em caixinhas
Beijos que sabe não conter.
Sentiu os seios cheios e tensos
Recordou domínios
De pedaços de si.

Entrou nele
Cheia de prazer
Agarrou-o por dentro
No domínio presente.
Controlando aqui
Gozando sempre
Ainda que nas suas mãos.

Ele brinca com ela
Directo e mordaz.
Ela escorrega nas curvas
Dos cérebros, despreocupada
Solta, feliz.

É no corpo
Veículo de outros deuses
Passagem estreita
Ritual sinalagmático
Que tudo pára

Antes

De nos olhos
Se elevarem
Trepando nos degraus
Da carne pura.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010