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domingo, 23 de janeiro de 2011

Confirmação

Que me perdoem a vaidade de de mim falar, ousando aceitar o dom que em mim alguém já havia enontrado. Mas a vida traz-me confirmações que não posso desprezar. Nos últimos dias estive com duas mulheres que conheço há mais de dez anos e de quem sempre tive uma clara (e positiva) opinião - quiçá conhecimento intuitivo - nem sempre secundado por muitos. Os anos passam, os reencontros acontecem, a intimidade estreita-se e o âmago que de ambas vislumbrei no primeiro momento aflora brilhante, seguro, ao fundo do túnel mais ou menos curto.
São estes os sinais em que procuro confiar cada vez mais cegamente e são estas as confirmações que me fazem sentir que piso o caminho certo.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Silêncios estratégicos

Terei sido na adolescência uma rapariga de silêncios estratégicos. Há quem hoje me ache calada, no que ao cerne de questões deveras íntimas diz respeito. Outros acham que falo demais, outros que serei uma boa comunicadora. Contradições de mim, de que gosto.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Nos degraus da carne pura

Parou-a no meio das palavras:
Tinha de falar ali, em sons e sem olhos
Do que a move e eleva.
Não falou. Incapaz.
Não foi vergonha moral
Foi medo do desperdício.
Não foi insegurança de si
Foi o desmoronamento eminente.

Terreno e carnal
Ele fala, ela faz.
Elevado e fundo
Dele não se conhece
Ela assim o pensa e sente.

Da pele e dos gemidos
Das palavras imperativas
E dos dedos enterrados
Abre as pernas para sair de si.
O passo é incomensurável
Sempre além
Empurrando os limites.

Beijou-a beijos diversos.
Beijos que guardou em caixinhas
Beijos que sabe não conter.
Sentiu os seios cheios e tensos
Recordou domínios
De pedaços de si.

Entrou nele
Cheia de prazer
Agarrou-o por dentro
No domínio presente.
Controlando aqui
Gozando sempre
Ainda que nas suas mãos.

Ele brinca com ela
Directo e mordaz.
Ela escorrega nas curvas
Dos cérebros, despreocupada
Solta, feliz.

É no corpo
Veículo de outros deuses
Passagem estreita
Ritual sinalagmático
Que tudo pára

Antes

De nos olhos
Se elevarem
Trepando nos degraus
Da carne pura.