A close friend says that I'm good on reading people's core and I'm a Renaissance woman... She is the reason behind the blog's name. As she is behind many things in my life too, namely writing. From my posts I do hope you will find out if she is right or not. I intend to post here through words and images about aesthetics, relationships, ethics, psychology, environment, literature, politics, art, and more.
terça-feira, 10 de janeiro de 2017
Justificação de Aprendiz
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Retrato escrito II
Imperador de vários impérios
Perfil romano de outras eras
Uma história em cada sulco de sol
Na boca o traço maior
Onde dentes longos e amarelecidos
Abrem um sorriso matreiro e ainda gaiato
Na pele o descuido pede desvelo
E nos olhos cansados um brilho menino
Carrega tristeza nas costas das aventuras
Redonda a cabeça e o cabelo alvo
Ondas fortes que se agarram ao escalpe
Índio de pele clara e de reservas perdidas
São verdes os olhos nos globos sem ardor
Coberto por vários véus imagina-se livre
Nos apetites e nos impulsos
Indicia arrependimentos longínquos
Rejeições sucessivas e perdas de outrora
Voltado para trás quer ser esperado
Imagina-se fundo para não se dar ao amor
Esconde-se atrás do passado e do desamparo
E aí encontra encanto para se continuar
Protege para se defender
Teima na máscara de rufia
Que deixou colada à superfície
Avança para baixar a guarda
Numa segurança galã
Que desarma anseios e alimenta sonhos
Encontra razão nos fortes
E força nos fracos
E esquece-se de si entre honras e despojos
Está para além dos sulcos e do descuido
Mais fundo do que o arrependimento e as disputas
Longe das memórias e do passado movediço
É um menino à beira da verdade
Querendo ser aceite no todo
Na sombra e o no brilho
sábado, 13 de fevereiro de 2016
Retrato escrito I
Guardados num cofre frio
Metálicos não para ferir
Blindados para não sentir.
E a pele transporta a mesma armadura
Tudo tem a cor de outrora
A luz não corta a espessa capa
O medo está sempre à espreita
Nem quando bateu à porta.
Faz temer o contágio
E o lar das almas perdidas
Trincheiras de si e dos demais
Lugares de batalhas perdidas
Frade sem convento nem irmandade
Bondade que se dá sem reter
Represa que se desistiu de construir
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Sei em mim imediatamente
não se o outro é branco ou preto
mau ou bom
não quais as cenas do filme
nem como será o seu final
Sei o fim da história antes do começo
E duvido
E entrego o que tenho
E dou o meu sangue
E a vida confirma do que padeço
Sei
E cego
E apalpo
E guardo
E não me arrependo
Sei
As sombras
Os brilhos
Os voos
As profundezas
Sei em mim imediatamente
O fim das minhas vidas
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| Mafalda Mimoso 2012 |
sábado, 9 de janeiro de 2010
Fim
Contorço-me debaixo do peso que é teu
O ser inteiro transporta-se sem ti.
Cravas os olhos vítreos nos meus
E nestes ombros os teus dedos finos e frios
Gritam que é o fim.
Sorrio vencedora
Não há mais labirintos nem cápsulas espaciais
Já não se espera.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Má consonância
Só pode esfacelar-se nas ravinas, olhar o xadrez dos outros
E sair de cena descalça pela praia.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Sophia de Mello Breyner Andresen
Côncavas de ter
Longas de desejo
Frescas de abandono
Consumidas de espanto
Inquietas de tocar e não prender
domingo, 2 de agosto de 2009
Aqui - Sophia de Mello Breyner Andresen
Aqui me sentei quieta
Com as mãos sobre os joelhos
Quieta muda secreta
Passiva como os espelhos
Musa ensina-me o canto
Imanente e latente
Eu quero ouvir devagar
O teu súbito falar
Que me foge de repente
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Creio - Natalia Correia
creio na deusa com olhos de diamantes,
creio em amores lunares com piano ao fundo,
creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes;
creio num engenho que falta mais fecundo
de harmonizar as partes dissonantes,
creio que tudo é eterno num segundo,
creio num céu futuro que houve dantes,
creio nos deuses de um astral mais puro,
na flor humilde que se encosta ao muro,
creio na carne que enfeitiça o além,
creio no incrível, nas coisas assombrosas,
na ocupação do mundo pelas rosas,
creio que o amor tem asas de ouro. Amén.


