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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Adeus ao precipício

As pontas dos pés na berma
A chuva ensopando o cabelo e o casaco grosso
O vento dobrando o chapéu de chuva branco
E lá em baixo a água escura chamava.

Ouviam-na os pensamentos
Que os gritos das crianças
Agarradas à saia travada
Puxavam no sentido oposto

Correu entre as bermas
Atrirou os miúdos à água
E ficou a olhar para dentro

Sentou-se e as pernas caídas
Ficaram mais perto da voz

O vento desenhava letras na chuva
As tempestades duplicavam-se

Letras substitutas, perturbadas
Letras certas, decididas
Letras libertadoras, pesadas

Tirou os miúdos da água
As pernas voltaram à berma
Disse adeus ao precipício
E desfigurada largou os sentidos

Apanhou-os no dia seguinte
Ao sol, secos e corados
Depois da incerteza
Chegara a bonança

domingo, 25 de outubro de 2009

Fio de prata

A pele está quente, o corpo aberto e os odores soltos.
Voa uma pequena borboleta branca. Regressa e parte.
Gosta do cheiro do sol naquela pele.

Libertam-se os fluídos.
A pele brilha nas curvas e recantos.
Pela nuca desce um fio de prata.
Deslizam dedos por esses lugares frescos.

Intensificam-se os odores.
Inala-se.
Assim fica, repetindo-se.