Oval, na sua casca fina, nem branca, nem castanha, espera vazio, no seu casulo velho e preto.
Esvaído por um furo, enfeitado para a morte ou para o nascimento, adormece num cesto ou jaz enforcado numa árvore.
Frágil, quebradiço, reciclado entre mezinhas fortificantes ou iguarias mexidas, vê assim a sua vida prolongada.
Até que se rebobine o filme e a semente de vida esgotada retorne, renovada.
Lisboa, Novembro de 2011
A close friend says that I'm good on reading people's core and I'm a Renaissance woman... She is the reason behind the blog's name. As she is behind many things in my life too, namely writing. From my posts I do hope you will find out if she is right or not. I intend to post here through words and images about aesthetics, relationships, ethics, psychology, environment, literature, politics, art, and more.
terça-feira, 31 de julho de 2012
domingo, 29 de julho de 2012
Cogumelos mágicos
Há os que cruzam a vida sem possibilidade, probabilidade ou desígnio.
Há os que navegam o rio sem deixar de parar no possível, sem estender o braço ao provável, sem largar a amarra do planeado.
Há os que nem uma coisa, nem outra. O que já foi feito, o que feito foi incontáveis vezes - o provável, diriam muitos - não os impede de se atirarem ao rio. Os bancos de areia, os rápidos, os redemoinhos, as curvas rochosas, os troncos submersos, não lhe são invisíveis, nem desconhecidos o seu alcance e proporção. Não são os sonhos, nem a geografia que lhes alimenta a alma. Eles comem cogumelos mágicos que brilham no escuro.
Há os que navegam o rio sem deixar de parar no possível, sem estender o braço ao provável, sem largar a amarra do planeado.
Há os que nem uma coisa, nem outra. O que já foi feito, o que feito foi incontáveis vezes - o provável, diriam muitos - não os impede de se atirarem ao rio. Os bancos de areia, os rápidos, os redemoinhos, as curvas rochosas, os troncos submersos, não lhe são invisíveis, nem desconhecidos o seu alcance e proporção. Não são os sonhos, nem a geografia que lhes alimenta a alma. Eles comem cogumelos mágicos que brilham no escuro.
sábado, 28 de julho de 2012
terça-feira, 24 de julho de 2012
Bola de pêlo
É estranho como anda dentro de mim uma bola de pêlo que
não consigo vomitar. Sinto as convulsões, as frases rodopiam na minha cabeça, o
coração está dorido e nada sai. Ou sai, o mesmo e para nada. É- me muito difícil
viver sem partilha e sem entrega de corpos e almas. Crescem as dúvidas sobre
quem é o outro comigo. Adorava que esta história confirmasse a minha teoria do âmago
e do resto. E gostava que fôssemos, para cada um, um espaço e tempo de paragem,
de liberdade para ser sem medos. Abertos e soltos.
Lisboa, Janeiro 2012
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Aforismo
As melhores mortes, as definitivas, acontecem em camas usadas, às quais voltamos para morrer.
Best deaths, those which last for ever, happen on worn beds, to which we return to die.
Best deaths, those which last for ever, happen on worn beds, to which we return to die.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Chema Madoz - Fotografia e poesia visual
domingo, 18 de março de 2012
Abri as portadas
Entrei na sala escura e colei-me à tela gigante
Abriu-se de pó uma estrada branca na luz quente
Cruzava-se uma diagonal imperfeita,
De baixo para cima, da direita para a esquerda.
Saltei para a garupa seguida de uma carroça
O pó sabia a açucar caramelizado
Os cavalos cheiravam a amoras maduras
E a carga cansada dos tombos queria chegar.
Não sei quem era o homem que me seguia
O focinho colado à minha garupa na falta do mapa
Que nada mais lhe fora dito que seguir e descarregar
Para que se parassem por ora os tombos e as nódoas roxas.
Voei pelas estradas grandes, pairei por baixo das árvores
O verde tomou conta do caminho, o frio da pele
O destino aproximou-se e com ele memórias e sonhos
Mais perto o mar, o papel e os olhares.
Atravessei um lugar medonho, onde se tenta ser feliz
A antiga estrada estreita e a mesma sebe alta e desalinhada
crescia a meu lado
O portão abriu-se, subiu-se a pequena rampa
A carroça entrou e o homem descarregou.
Vi tudo no chão
Caixas coloridas, livros por ler, roupas antigas,
Quadros queridos, cadernos de notas incompletos
Abri as portadas e de dentro tirei o que não era meu.
Abriu-se de pó uma estrada branca na luz quente
Cruzava-se uma diagonal imperfeita,
De baixo para cima, da direita para a esquerda.
Saltei para a garupa seguida de uma carroça
O pó sabia a açucar caramelizado
Os cavalos cheiravam a amoras maduras
E a carga cansada dos tombos queria chegar.
Não sei quem era o homem que me seguia
O focinho colado à minha garupa na falta do mapa
Que nada mais lhe fora dito que seguir e descarregar
Para que se parassem por ora os tombos e as nódoas roxas.
Voei pelas estradas grandes, pairei por baixo das árvores
O verde tomou conta do caminho, o frio da pele
O destino aproximou-se e com ele memórias e sonhos
Mais perto o mar, o papel e os olhares.
Atravessei um lugar medonho, onde se tenta ser feliz
A antiga estrada estreita e a mesma sebe alta e desalinhada
crescia a meu lado
O portão abriu-se, subiu-se a pequena rampa
A carroça entrou e o homem descarregou.
Vi tudo no chão
Caixas coloridas, livros por ler, roupas antigas,
Quadros queridos, cadernos de notas incompletos
Abri as portadas e de dentro tirei o que não era meu.
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