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domingo, 10 de janeiro de 2010

Vendada

Vendo-me todas as manhãs para lhes olhar o âmago. Cega aos olhos do mundo resta-me o toque das almas.
Tangíveis, a razão e a emoção defendem-me da incerteza terrorista. A venda jaz inútil enquanto durmo.

domingo, 1 de novembro de 2009

Outra morte

A manhã acordou escura tal como a noite em que adormecera.
Amarrou-se à cama esperando a morte.
Deu dois passos atrás, colou-se à parede e começou a observar
O corpo recém-emagrecido, o sono curto, a forçada vigília inerte.
Olhar o leito de mais um fim fez discorrer pedaços de vida e ler instruções de suicídios vários.
Olhar o leito de outra morte minimizou o sofrimento e esquissou as próximas.
Mortas se queriam a obrigação, a ansiedade, a inquietação
E os buracos brancos renascidos e virgens.