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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A morte cruzou o caminho

A morte cruzou o caminho
os olhos azuis pararam
e do corpo franzino e prostado
saíram espasmos vazantes.

Nunca esquecerei aqueles olhos
mortos antes da morte
inexpressivos sem que a vida
ainda em si os iluminasse.

Embrulhado num sudário
foi levado para que o desacreditassem
E com muita pouca fé nos foi tirado.

Voltámos para casa
sem que a ciência nos tivesse esclarecido
e ao que a ciência ainda não descobriu
apelámos até o dia nascer.

E deu-se um milagre
e o descreditado viu um novo dia
e lá até da fénix se lembraram.

Nós demos-lhe um novo nome
para que a vida que acabara de perder
não contasse para o novo ser
que acabara de renascer.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Prazo

Contigo não quero o razoável
que de razão estamos já cheios
e saciados com as nossas escolhas.

Não peças o razoável!

Só o impoderável queremos
e será a ânsia do ilimitado que nos moverá
certos que ficaremos àquem.

Não queiras ser justo!

Longe da partida, entre risos cansados,
correremos atrás da raposa que soltámos,
dependentes só do nosso olfacto e resistência.

Não interessam as paixões dos outros!

Foi a nossa que congelámos
para que não a derreta o frio do Inverno
e a na pele torrada se misturem os sabores.

Não te assustes com a arrítmia!

Nada dá mais endurance que a mudança
novas não serão as válvulas nem as veias
que este coração renasce cada dia.

E nada tem mais contraste do que a vida!

Tudo o resto não passa de uma amostra
que cada um carrega
testando a sua carga.

domingo, 1 de novembro de 2009

Outra morte

A manhã acordou escura tal como a noite em que adormecera.
Amarrou-se à cama esperando a morte.
Deu dois passos atrás, colou-se à parede e começou a observar
O corpo recém-emagrecido, o sono curto, a forçada vigília inerte.
Olhar o leito de mais um fim fez discorrer pedaços de vida e ler instruções de suicídios vários.
Olhar o leito de outra morte minimizou o sofrimento e esquissou as próximas.
Mortas se queriam a obrigação, a ansiedade, a inquietação
E os buracos brancos renascidos e virgens.