sexta-feira, 26 de maio de 2017

Criação Maior

Os filhos são a nossa maior criação e a nossa maior responsabilidade até estarem prontos para serem entregues ao mundo e sempre que o mundo os traia.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Da moral e das boas maneiras

É recorrente dar por mim a repensar neste assunto.

Ou porque a vida me coloca em situações novas com pessoas novas que me levam a pensar novamente na relação entre a moral e boas maneiras.

Ou porque fico perante situações novas com pessoas antigas e esta questão se reergue dentro de mim.

Ou porque em conversas com os meus três filhos, todos adolescentes, o tema surge com a naturalidade que se impõe neste período das suas vidas em que eles batalham pela construção e demonstração da sua individualidade, ganham um certo distanciamento da família e lutam pelo seu lugar na sociedade questionando (e tentando recusar) as regras por ela impostas.

Para mim as boas maneiras não se fundam na moral, mas na gentileza da alma.

As boas maneiras estão muito para além do certo e do errado, nem são uma imposição sem sentido ou de mera origem e evolução histórico-geográficas.

Ser gentil é ser amável. Ser amável é ser digno de ser amado. Sentir-se digno de ser amado pode não ser fácil para muitos e para os que se sentem - consciente ou inconscientemente - indignos de serem amados é seguramente causa de dor no próprio e nos outros.

Não há amor nem respeito pelo outro (dado ou recebido) sem empatia. E se esta forma de identificação de um sujeito por uma pessoa - ideia ou coisa - quando é intelectual dá frutos mais rápida e evidentemente, quando é afectiva - ainda que seja árdua de semear e de colher - os seus frutos são mais nutritivos, saborosos e de combustão lenta.

Ser gentil é também ser delicado, elegante, agradável, aprazível. As boas maneiras são por isso uma expressão estética de harmonia.

Ser gentil é ser nobre no trato para com os outros que vimos e sentimos como iguais e no lugar dos quais nos colocamos pois eles são dignos do mesmo que nós.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Manifesto do amor de um idealista

Que a ternura floresça
Que o mundo olhe para nós
E veja este imenso Amor. 
Unidos os dois, sem muros, nem defesas
Confiantes um no outro.

Que vivamos do e para o nosso Amor 
Que seja ele a nossa primeira prioridade
Um exemplo para os nossos filhos
De coragem, de entrega, de enorme possibilidade
Um exemplo de bondade total entre duas pessoas 
Sem medo de perder, enganar, magoar
Sem medo do fim.

Um Amor bonito, sincero, honesto 
Um Amor que sabe perdoar
Um Amor que começa cada dia para ser melhor 
Um Amor que acaba cada dia melhor.

O Nosso Amor Indestrutível.
Somos o porto de abrigo
E a aventura mais entusiasmante
De cada um de nós.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Máquina do amor

Há coisas mágicas,
que fluem com facilidade
Fronteiras que não são limites
Restrições que não angustiam
Uma máquina de amor perfeita.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

[Não Periódico]

Mais um caderno de notas iniciado. Já lhes perdi a conta e a alguns o rasto. Desta vez um qualquer sem papel ou dimensão ou capa escolhida. Não é verdade. O tamanho tem importância e este novo caderno preenche quanto a isso os meus requisitos. É mais pequeno que A5, o tamanho máximo em que escrevo. A caneta é preta e acabada de comprar. Gosto de escrever com caneta preta. É uma vaidade. Gosto da minha caligrafia escrita a preto e por um bico fino. Mania, idiossincrasia, traço de personalidade, manifestação de individualidade, reflexo de alguma auto-estima. O que seja. É apenas uma verdade insignificante sobre mim.
Também comprei um isqueiro novo da marca Clipper com capa de inox baço. Gosto de objectos bonitos e acho estas capas de isqueiro bonitas. Prefiro rodear-me de sensações e objectos bonitos. Sei que me fazem bem. Quanto às pessoas (e aos homens em particular) a sua beldade ou fealdade pouco me importam ou condicionam. Já tinha tido uma outra capa igualmente Clipper, igualmente de inox baço mas maior. Foi-me oferecida por um coração de ouro. O coração que emana a melhor energia que encontrei numa pessoa. Mas outro coração bom levou por engano esse isqueiro e ainda não me o devolveu. Esse mesmo coração pregou-me hoje uma partida. Fui surpreendida. Não foi uma surpresa boa. Vai demorar a assimilá-la. A aceitação não é coisa fácil. Aceitar depois de passar a peneira do nosso Código Moral - crivo de malha tão variada quanto as cabeças mais ou menos pensantes - leva tempo. Redigir este Código é tarefa demorada e difícil. O tempo é, para algumas coisas, um colaborador indispensável.

✽✽✽

Talvez comece a inserir estes escritos novos neste blog, sob o título [Não Periódico], como quem diz off-topic, que o blog não nasceu para contar a minha vida corrente.

✽✽✽

Sintonia. Sincronicidade. Estou agora a viver numa zona que não conheço bem, nem sei se lhe posso chamar bairro. Bairro é coisa de cidade. É perto de onde vivi durante 20 anos e há muitos amigos antigos por aqui. mas o perto de hoje era longe há vinte anos. E na altura como hoje conheço pouco da vida própria desta zona. Esse desconhecimento levou-me a perguntar a uma sobrinha adolescente onde haveria (numa walking distance ou num dar para ir a pé) um café com esplanada para poder fumar. Um vício novo, caro e paradoxalmente filho da crise. Nem tudo é correcto e bom na vida que levamos. A ética está por todo o lado. A sobrinha lá me disse onde podia encontrar o café que pretendia e voluntariosa e afectuosamente acabou por me levar lá. Gosto dos afectos. Fazem-me bem. Para se chegar a esse café que além de me deixar fumar também me deixa ligar à rede gratuitamente... Estar ligada é importante e necessário para mim, como é escrever, manuscrever, fotografar e ler e tudo isto se pode fazer num café com esplanada e wi-fi grátis. Gosto de poder escrever. A liberdade é tão boa e faz-me bem. Mas foi sobre sintonia, sincronicidade, coincidência, acaso que me apeteceu manuscrever de novo. E foi no caminho para o tal café de onde as letras agora pareciam me querer tirar que encontrei uma loja que pertence a um desses amigos antigos, tão antigo como os tempos em que andei na faculdade. Pensei nele. Tenho a vida bem cheia de memórias e espero ter muitos anos pela frente para ter muitas mais. Esperança e morte. E relembro palavras ouvidas no noite anterior. Os passos à minha volta estão cheios de esperança e desesperança. Estava eu já sentada numa mesa, bica bebida, copo de água tragado - que sabe bem e compensa o efeito diurético do café -, dois cigarros fumados, umas páginas escritas no pequeno caderno de notas e surge ao meu lado o amigo antigo em que pensei.
Não manuscrevia há muito tempo, talvez um ano. A caligrafia está perra, trémula, desajeitada como a mão que pega na caneta, como o cérebro dono da mão e da caneta. Preta, bico fino.

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Ousar.

✽✽✽

O livro que agora me faz companhia foi escrito pelo primeiro prémio Nobel da literatura japonês. Yasunari Kawabata recebeu o prémio em 1968. No ano que nasci, Coincidência. Terra de Neve tem as palavras escritas que me dão asas. Asas de imaginação, memória, pensamento, sensação. A liberdade do leitor. O leitor, o declamador, o tradutor também fazem livros. Não gosto da palavra declamador, dizente seria a palavra portuguesa que traduziria diseur, da qual gosto. Dizente parece que é uma palavra nova, oficial, porque consta do Acordo Ortográfico vigente em Portugal, ao qual não obedeço. Terra de Neve foi escrito em 1947. Ano não coincidente em mim.

✽✽✽

Paro de escrever. Passo os olhos pelo Facebook, partilho e comento umas publicações. Começo a ler Terra de Neve. Gosto imediatamente das primeiras páginas. Reconheço uma técnica de escrita: o haiku. Recordo Apurva. Sou feita de memória.

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"Qual a mulher que, ao tratar de forma maternal alguém muito mais idoso, não dá a impressão de ser sua esposa, desde que não seja observada de muito perto? Sim, e em qualquer circunstância. E quanto mais cuidado exigir o estado do doente, mais o par terá fatalmente o ar de casal.
Baseando-se no sentimento geral que lhe davam as aparências, Shimamura preferiu pensar na jovem, que lhe interessava, independentemente do homem."



Justificação de Aprendiz

Julgo que os aprendizes de escritor têm, pelos menos alguns, uma grande necessidade de se justificarem. Se não tiverem, tenho eu. E escrever que sou aprendiz de escritor, e de poeta - um calafrio passa pela espinha - é um passo de gigante, por isso, muito maior do que a minha perna, que sou de estatura média/baixa. Vou justificar então as possíveis novas entradas neste blog, que poderão ser mais de escrita diarística. Este blog não nasceu para isso. Mas nasceu para me forçar a escrever. E neste momento é esse tipo de escrita que me parece servir tal propósito.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Equal


Why are you not behind the door
Thirsty for you
So as to drink in me
What I save just for us?

We are
What no one else
Can feel.
A violet light
That I envelope you in.
A white light
That I support myself in.

I am much more than a body.
It is not me you touch
When you lift me uncovered.
You offer me to the heavens
A piece of light
Naught without you.

Let us run through the warm winds
Naked.
Just us.
Without beds, without doors.

I don't think of you
You whom I have.
It is those who escape me
The unknown
Who sweeten my torment.

I adore you
Free woman.
You receive
One who venerates you as
An equal.

I am not in the measured days
In the full hours
I am not in the midst of people
Nor within clothing
I am where I do not see myself
Within you.

Seated before you
I adore you.
And since I venerate you
You lift me up with you.

Goa, November 2004

Salto de fé, determinação ou capricho

A determinação já me levou a muitos lugares. Aos que não sabia que não queria e a outros que nunca imaginara gostar. O mesmo se passou com outras tantas pessoas. Tive vidas paralelas entre mim e os lugares onde estava e as pessoas que pareciam caminhar a meu lado. A determinação fez-me superar muitas provas, tal como teimou em me esgotar. O fim de um caminho tem tanto de sucesso como de falhanço e no fim de mais uma linha revela-se outra partida. A fé e a determinação igualam-se, confundem-na com capricho.  Inútil só por sentir.



Retrato escrito II

Imperador de vários impérios
Perfil romano de outras eras
Uma história em cada sulco de sol

Na boca o traço maior
Onde dentes longos e amarelecidos
Abrem um sorriso matreiro e ainda gaiato

Na pele o descuido pede desvelo
E nos olhos cansados um brilho menino
Carrega tristeza nas costas das aventuras

Redonda a cabeça e o cabelo alvo
Ondas fortes que se agarram ao escalpe
Índio de pele clara e de reservas perdidas

São verdes os olhos nos globos sem ardor
Coberto por vários véus imagina-se livre
Nos apetites e nos impulsos

Indicia arrependimentos longínquos
Rejeições sucessivas e perdas de outrora
Voltado para trás quer ser esperado

Imagina-se fundo para não se dar ao amor
Esconde-se atrás do passado e do desamparo
E aí encontra encanto para se continuar

Protege para se defender
Teima na máscara de rufia
Que deixou colada à superfície

Avança para baixar a guarda
Numa segurança galã
Que desarma anseios e alimenta sonhos

Encontra razão nos fortes
E força nos fracos
E esquece-se de si entre honras e despojos

Está para além dos sulcos e do descuido
Mais fundo do que o arrependimento e as disputas
Longe das memórias e do passado movediço

É um menino à beira da verdade
Querendo ser aceite no todo
Na sombra e o no brilho

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Retrato escrito I

Os olhos estão vestidos
Guardados num cofre frio
Metálicos não para ferir
Blindados para não sentir.
Metálicos são os cabelos
E a pele transporta a mesma armadura
Tudo tem a cor de outrora
Sentem-se as trevas da terra média
A luz não corta a espessa capa
O medo está sempre à espreita
Nunca foi a morte o fim
Nem quando bateu à porta.
O rosto encerra outra escuridão
Faz temer o contágio
E o lar das almas perdidas
Duros os lábios e outros sulcos
Trincheiras de si e dos demais
Lugares de batalhas perdidas
Eremita de cela solitária
Frade sem convento nem irmandade
Bondade que se dá sem reter
Represa que se desistiu de construir

Dar

Pedi o que me deram e não tive para dar o que já estava dado.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Les uns et les autres

Quanto do que faço
Faz de mim ser
Quanto do que sou
Está comigo no fazer

O acto e a essência
A prática e a identidade
A unicidade e o catálogo
A adequabilidade

Sem sinais sem placas
Sem nome sem igual

Um ser cem práticas
Um único cem traços

O resto e o âmago
Os pratos e os carris
A ilha e o mar
A liberdade

Quanto do que é nosso
Sou eu
Quanto de ti
Somos nós

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Tiraste-me o chão e deram-me o mar

Não vais vir nunca mais
O tempo não vai lá estar
E eu estarei num sonho
que nunca foi o teu.
Tiraste-me o chão
E o mar entrou de supetão
Por entre palavras escritas
Durante o tempo improvável
Traçou uma viagem.

O sonho voltou inteiro
E o monstro voltou com ele.
Empurra-me o diafragma
Aperta-me o estômago.
Atira-me ao chão.

Ao sonho me atiro
E o monstro renasce.
Na proa do barco
Há um marinheiro a chamar.
O sentido chama-se viagem
E viagem implica partir.
Partir implica deixar.

Volta o medo
Quando me dão o mar.
À popa há um coro negro
De velhos e mães.
"Não vás!"
Atiro-me ao sonho
E o sonho sussurra.
Na proa o marinheiro chama
Eu espero entre o passado e o futuro.
Repito ou ouso?

Salto para o mar.
Não há balsa, nem bóia
Nem pai, nem mãe,  nem pesadelo.

Volta o sonho de mar
Volta o sonho de voar.
"Que fazes aí? Volta!"

Devolvo-te o chão
A cama velha
As velas na mesa
Os olhos do marinheiro arpoam os meus.

E vou! Para viver pela primeira vez.
Vence o mar, a viagem e o sonho de mim.


sábado, 17 de outubro de 2015

Metamorfoses

Voltei a chorar
Nem de tristeza
Nem de dor
Nem de alegria profunda.
Chorei de profunda comoção
De extrema vulnerabilidade.

Estão a cair-me as escamas.

Não sei se de peixe
Ou de cobra
Não sei se o que cai é a pele velha,
A dar lugar à nova, forte
E igualmente escamosa
Que lhe vai tomat o lugar,
Ou se de peixe perco as escamas
Para ganhar penas e patas
E voar.




segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Circular(es) 1

Ana, deitou-se na cama, mais de sete horas depois, e retirou da mala o que lá colocara, para outra noite em cama alheia: toalhetes desmaquilhantes, escova de dentes, creme de rosto e um corta-unhas para garras alheias. Unhas que a tinham ferido por dentro, garras que lhe fizeram esquecer os pés alheios. Pés que nunca conhecera, por não os conseguir tocar, beijar, incorporar. "Estranho dormir com um homem sem pés", pensou. 
A lua ia cheia de sangue e a caminho de ser escondida, mas atrás da neblina, a luz reflectida iluminava-lhe a grande vidraça do quarto, da cama e da vida. Recebeu a claridade e a força que procurava. Sentiu a sintonia com o Universo e agradeceu.
Ana, tinha recebido, nas últimas horas, tudo o que precisara para não cair, para amar e ser amada, para não ficar só e desamparada. Não há amparo mais leal e seguro do que a amizade. Recordou as conversas com José, Alice, Júlia e Mariana.
Conversas pedidas, que a noite lhe dera sem as esperar. Palavras que foram caminhos para adormecer serena.

Espelho teu

Como pode tudo partir de ti?
Tu avanças, aproximas-te, moves-te
Quando queres, como queres.

És a tua única motivação
És o teu único objectivo.

Dentro de ti o outro nunca existe.

O outro é um espelho de ti mesmo
O outro reflecte o que de ti queres ver.

Que desinteressante é
O que está atrás do espelho
O que está além do espelho
O que no espelho possas ver
Que não sejas tu.